Stellantis diz que vai demitir temporariamente 900 trabalhadores dos EUA após anúncio de tarifas
- 03/04/2025

Reuters
DETROIT (Reuters) - A Stellantis informou nesta quinta-feira que está demitindo temporariamente 900 trabalhadores em cinco instalações nos Estados Unidos após o anúncio de tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump, além de suspender temporariamente a produção em uma fábrica de montagem no México e outra no Canadá.
A montadora de picapes Ram e Jeeps informou que as fábricas dos EUA afetadas são instalações produtoras de motores, transmissões e instalações de estampagem que fornecem peças para as duas fábricas no México e Canadá que estão sendo paralisadas.
As ações da Stellantis caíam 7,7%, a US$10,40, nas negociações desta quinta-feira em Nova York, acompanhando uma queda generalizada das ações nos EUA por temores de uma guerra comercial.
A fábrica de Windsor da Stellantis, onde são produzidas as minivans Chrysler Pacifica, Voyager e o Dodge Charger Daytona, ficará parada por duas semanas. Já a fábrica de Toluca, no México, onde são produzidos o Jeep Compass e o Jeep Wagoneer S, ficará fechada durante todo o mês de abril, segundo a empresa.
Cerca de 4.500 trabalhadores em Windsor serão impactados pela paralisação. No caso de Toluca, os trabalhadores continuarão comparecendo ao trabalho e recebendo salário, mas sem produzir veículos, disse a empresa.
As montadoras estão tentando encontrar formas de lidar com a tarifa massiva de 25% sobre carros importados, que entrou em vigor nesta quinta-feira. A tarifa base dos EUA para importação de veículos é de 2,5%. No entanto, as montadoras que importam veículos do Canadá ou do México podem deduzir o valor das peças dos EUA do imposto de 25%.
Em uma carta a funcionários nesta quinta-feira, o diretor de operações da Stellantis para as Américas, Antonio Filosa, disse que a empresa está "avaliando os efeitos de médio e longo prazos dessas tarifas em nossas operações, mas também decidiu tomar algumas ações imediatas, incluindo a suspensão temporária da produção em algumas de nossas fábricas de montagem canadenses e mexicanas."
A Casa Branca não quis comentar imediatamente sobre os cortes temporários de empregos na Stellantis.
(Por Kalea Hall em Detroit e David Shephardson em Washington; reportagem adicional de Nora Eckert em Detroit)